sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A MALDIÇÃO DA CARRANCA

  Era uma noite chuvosa de Agosto quando um velho amigo de meu pai chegou. Seu nome era Tibiriça ele era um dos últimos remanescentes de uma tribo do amazonas, magro, alto, falava pausadamente como se tivesse dificuldade para encontrar as palavras certas, roupas surradas e um chapéu preto, parecia nervoso e apressado fumava um incomodo cigarro de palha que tinha que acender com muita frequência.
 Contou que tinha chegado de Manaus e passará apenas para rever meu pai e trazer um presente, presente este que retirou de um grande e sujo saco preto que já aguçava a nossa imaginação. Era uma carranca de mais ou menos um metro  pintada de vermelho, preto e branco, enormes dentes e orelhas pontiagudas, entregou ao meu pai o estranho presente e suspirou como que aliviado.
 Partiu logo depois apressado enfrentando a forte chuva que já ameaçava transformar em um dilúvio, apesar de meu pai insistir para que ficasse.
  A carranca ficou no canto da sala como a que nos observar. Naquela noite com exceção de meu pai ninguém conseguiu dormir direito eu e minha irmã mais nova tivemos pesadelos com a carranca e minha mãe falou sobre sobre estranhos barulhos vindo da sala. Etá! Cambada de frouxos! Falou meu pai, rindo de nossos medos, mesmo assim resolveu colocar a carranca provisoriamente no jardim.
  Naquela tarde aconteceu algo que abalou ainda mais a todos nós, um pardal pousou sobre a carranca e pouco depois caiu duro uma morte fulminante, meu pai desta vez não riu apenas falou que ia colocar provisoriamente a carranca no fundo do quintal, para meu pai tudo era provisório.
  Naquela noite, uma sexta-feira (13 se não me falha a memória de lua cheia, foi que a força sobrenatural da carranca se manifestou ) de forma definitiva e apavorante.
  Era quase meia-noite quando a carranca começou a correr atrás de nosso, desesperado, cachorro que latia desesperado, passamos a noite em claro, minha mãe rezava eu e minha irmã chorávamos e meu pai roncava,
Na manhã seguinte minha mãe chamou uma benzedeira que chegou só ao entardecer benzeu a todos nós, benzeu a casa, benzeu o quintal, benzeu o cachorro e lavou a carranca com água benta entoando um estranho canto em latim.
  Nossa fé nos deixou mais aliviados, mas naquela noite o sobrenatural tornou a se manifestar, a carranca voltou a perseguir nosso cão, mais uma noite em claro, minha mãe e eu rezávamos minha irmã chorando e meu pai roncando.
  Ao amanhecer minha mãe mandou buscar um padre que que chegou ao entardecer, rezou um terço, benzeu a todos nós, benzeu a casa, benzeu o cachorro, benzeu o quintal, enterrou o pardal e lavou a carranca com água benta entoando um estranho canto em latim. Jantou com a gente e decidiu que passaria a noite no quintal para ver se o fenômeno sobrenatural voltaria a acontecer.
  Era quase meia-noite quando o padre pegou sua bíblia e um crucifixo e saiu para o quintal pedindo a meu pai que apagasse as luzes e trancasse as portas, pouco depois um ganido e a perseguição começou .
  Pouco depois o padre chamou meu pai pedindo que acendesse as luzes e abrisse as portas e explicou o mistério da diabólica carranca.
  Meu pai amarrava provisoriamente o cachorro na carranca e a noite ao apagar as luzes, pingú nosso cão (que não era nenhum exemplo de valentia ) ficava assustado e começava a correr arrastando a carranca pelo quintal , tentando se libertar.
  Depois daquela noite, meu pai colocou provisoriamente a carranca na varanda e todos nós envergonhados evitamos  comentar a maldição da carranca .
                                                   Juvêncio Veloso

Um comentário:

wesley disse...

parabéns!!! adoramos o seu blog...
sucessssssssssssso...
abraços thamara e wesley.
17/01/2010