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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

DELICADEZAS DE DEUS

   
O MILAGRE DAS FOLHAS
http://www.poesia-espiritual.com.br/
Clica no Selinho para chegar até na festa!
 Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria.” Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas. Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo, capacidade de projetar no campo alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.
Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhares de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante. Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.
Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza”.
                                                                                                               Clarice Lispector

Quando fui convidado a participar desta Blogagem Coletiva do ESPIRITUAL-IDADE na hora lembrei desta que considero uma das mais belas Crônicas da Clarice Lispector apesar de já ter sido postada aqui acho que merece um nova postagem. O segundo texto também já postei  por aqui e é uns dos meus poucos escritos pois reconheço minha limitação no uso das palavras. Mas acho que tem muito a ver com o tema da Blogagem na época achei que Deus tinha sido muito gentil em deixar eu captar este momento! Espero que curta e principalmente que esteja sempre abertos para captar as Gentilezas e delicadezas de Deus! 
Quem quiser conhecer mais alguns dos meus escritos é só clicar no marcado Meus escritos no final do Post!
UM abraço e vamos com Deus sempre.
                                                                                                                                                  Veloso


O BÊBADO E A PRINCESA

" Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."
                          Antoine de Saint-Exúpéry           

   Enquanto esperava  o circular no velho terminal rodoviário, para amenizar a demora rotineira , fiquei observando as pessoas. Um bêbado de caminhar inseguro e ao seu lado uma anjinha de mais ou menos uns quatro anos, loirinha, cabelos curtos, parecia a própria sombra do homem, talvez um anjinho cansado de voar. Deduzi que também estava cansada de andar, pelas sandalinhas guardada em uma bolsinha de plástico que carregava com o charme de uma primeira dama. O homem aparentava uns quarentas anos, cabelos grisalhos pintado fio a fio pelas agruras da vida, tinha até uma discreta elegância. O homem parou e depois de várias tentativa conseguiu acender um cigarro. 
   A anjinha que parecia ligada a ele por um elo invísivel , também parou, ele sentou a menina o acompanhou segurando a bolsinha no colo.
    Aproximei e ofereci uma bala como uma singela oferenda, o anjinho olhou para seu pai esperando o consentimento que veio com um leve balançar de cabeça, pegou a bala e guardou com delicadeza. Ofereci outra supondo que a primeira ela fosse levar para sua mãe ou irmãozinho. Afastei-me, em seguida sentindo um intruso, tentando invadir o planetinha da pequena princesa; eu não tenho esse direito pensei. O ônibus chegou, olhei ainda por uma última vez aquela cena enquanto o circular afastava da plataforma, voltei para casa, feliz ao imaginar que todos nós temos nosso anjo da guarda,só nos falta sensibilidade para encontrar. 
                                                                 Juvêncio Veloso

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A MALDIÇÃO DA CARRANCA

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Era uma noite chuvosa de Agosto quando um velho amigo de meu pai chegou. Seu nome era Tibiriça ele era um dos últimos remanescentes de uma tribo do amazonas, magro, alto, falava pausadamente como se tivesse dificuldade para encontrar as palavras certas, roupas surradas e um chapéu preto, parecia nervoso e apressado fumava um incomodo cigarro de palha que tinha que acender com muita frequência.

Contou que tinha chegado de Manaus e passará apenas para rever meu pai e trazer um presente, presente este que retirou de um grande e sujo saco preto que já aguçava a nossa imaginação. Era uma carranca de mais ou menos um metro pintada de vermelho, preto e branco, enormes dentes e orelhas pontiagudas, entregou ao meu pai o estranho presente e suspirou como que aliviado.
Partiu logo depois apressado enfrentando a forte chuva que já ameaçava transformar em um dilúvio, apesar de meu pai insistir para que ficasse.
A carranca ficou no canto da sala como a que nos observar. Naquela noite com exceção de meu pai ninguém conseguiu dormir direito eu e minha irmã mais nova tivemos pesadelos com a carranca e minha mãe falou sobre sobre estranhos barulhos vindo da sala. Etá! Cambada de frouxos! Falou meu pai, rindo de nossos medos, mesmo assim resolveu colocar a carranca provisoriamente no jardim.
Naquela tarde aconteceu algo que abalou ainda mais a todos nós, um pardal pousou sobre a carranca e pouco depois caiu duro uma morte fulminante, meu pai desta vez não riu apenas falou que ia colocar provisoriamente a carranca no fundo do quintal, para meu pai tudo era provisório.
Naquela noite, uma sexta-feira (13 se não me falha a memória de lua cheia, foi que a força sobrenatural da carranca se manifestou ) de forma definitiva e apavorante.
Era quase meia-noite quando a carranca começou a correr atrás de nosso, desesperado, cachorro que latia desesperado, passamos a noite em claro, minha mãe rezava eu e minha irmã chorávamos e meu pai roncava,
Na manhã seguinte minha mãe chamou uma benzedeira que chegou só ao entardecer benzeu a todos nós, benzeu a casa, benzeu o quintal, benzeu o cachorro e lavou a carranca com água benta entoando um estranho canto em latim.
Nossa fé nos deixou mais aliviados, mas naquela noite o sobrenatural tornou a se manifestar, a carranca voltou a perseguir nosso cão, mais uma noite em claro, minha mãe e eu rezávamos minha irmã chorando e meu pai roncando.
Ao amanhecer minha mãe mandou buscar um padre que que chegou ao entardecer, rezou um terço, benzeu a todos nós, benzeu a casa, benzeu o cachorro, benzeu o quintal, enterrou o pardal e lavou a carranca com água benta entoando um estranho canto em latim. Jantou com a gente e decidiu que passaria a noite no quintal para ver se o fenômeno sobrenatural voltaria a acontecer.
Era quase meia-noite quando o padre pegou sua bíblia e um crucifixo e saiu para o quintal pedindo a meu pai que apagasse as luzes e trancasse as portas, pouco depois um ganido e a perseguição começou .
Pouco depois o padre chamou meu pai pedindo que acendesse as luzes e abrisse as portas e explicou o mistério da diabólica carranca.
Meu pai amarrava provisoriamente o cachorro na carranca e a noite ao apagar as luzes, Pingú nosso cão (que não era nenhum exemplo de valentia ) ficava assustado e começava a correr arrastando a carranca pelo quintal , tentando se libertar.
Depois daquela noite, meu pai colocou provisoriamente a carranca na varanda e todos nós envergonhados evitamos comentar a maldição da carranca .

Juvêncio Veloso

Postado por VELOSO às 21:43
A primeira postagem a gente nunca esquece! Assim entrava no ar o meu  Blog no dia  1º de janeiro de 2010...
Entrava de forma precária como entrou a televisão no Brasil que para realizar a primeira transmissão Assis Chateaubriand contrabandeou alguns aparelhos de televisão e contam as lendas que finalizado a primeira transmissão os envolvidos nessa façanha histórica falaram uns para os outros e amanhã o que vamos fazer foi o caso do Baú.
Eram os primeiros passos eu estava a menos de quinze dias com o internet e não sabia nem acessar e visitar outros blogs mas fui aprendendo com alguns toques de meus filhos mas quase estava desistindo pois não recebia nenhuma visita.
Até que decidi envestir numa Agressiva Campanha de Marketing  que consistia em implorar para meus sobrinhos visitarem meus blog!
Apesar de todas a dificuldade e de minhas trapalhadas digitais Janeiro de 2010 foi um mês que postei alguns de meus escritos  ( apesar de todos os erros de um quase analfabeto) que eu gosto muito:

&

Mês que vem a saga do Baú continua... 
Obrigados a todos que estão de plantão comigo nesse ínicio de ano.Veloso

Esta postagem é parte integrante do postagem coletiva do blog: 

    
Não pode ser vendido separadamente
Clic e Confira
 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

DESCONTROLE

Uma invenção, não muito remota, que já fugiu de controle. Muitas vezes descontrola, Manuela quer ver a novela, Renato o Mundo Animal, muda logo de canal começou o Jornal Nacional, grita o pai em desespero, pedindo apoio do cunhado, não é seu dia de sorte, o folgado quer ver esporte, mãe começou a novela chantageia Manuela, chega o caçula Paulinho e toma o controle remoto, pensa o pai resignado, lá vem desenho animado.
Achei em um velho caderno do meu supletivo! Marcadores:  Sei lá o que é isso?!
Veloso

sábado, 8 de maio de 2010

MUITAS VEZES MÃE

Muitas vezes surpreendo me com atitudes maternas, contra as quais sempre me rebelei, lembro me de quando a senhora ficava acordada esperando eu voltar das noitadas, não sou mais criança, reclamava indignado, resmungava, quando nas noites frias, ou não, você vinha ajeitar o cobertor sobre o meu corpo.
Hoje surpreendo me esperando meus filhos voltarem da balada e muitas vezes também ajeito sobre seus corpos os cobertores em noites frias, ou não.
Mãe muitas coisas deixei de lhe dizer como você é importante para mim, nunca demonstrei o quanto a amava.
Agora vendo você enferma,presa numa cama sem, sem conseguir comunicar com o mundo, minha maior aflição é saber se consigo transmitir com um beijo, todo amor que sinto por você minha querida mãe.
Estou postando este texto que escrevi faz uns 5 anos, o tempo passou mas o sentimento ainda não mudou. Não deixe para depois para expressar seus sentimentos. Um Feliz Dia Das Mães a todas as Mães do Mundo e  lembre a "Terra também é Mãe" 
Obrigado pelos carinhos, Felicidade Sempre!
Veloso

sexta-feira, 30 de abril de 2010

PORQUE O NOVO SEMPRE VEM

Porque as folhas caem no outono ?

Pesquisando sobre este que é o mais marcante acontecimento do Outono, descobri muito mais que frias explicações cientificas sobre o fenômeno.
Como na natureza, a vida também tem seu ciclos; temos o Verão um tempo onde tudo dá certo, onde “semeamos” nosso futuro, curtimos a vida e cometemos nossos excessos.
O Outono vem a seguir é o tempo de “colhermos os frutos” um tempo para refletirmos, e traçarmos nossos planos e prioridades definirmos nossas metas o que vamos semear no futuro.
Muitos falam em perdas de abrimos mãos de coisas que foram importantes para o nosso crescimento e amadurecimento. São nossa folhas que caem ( nossas experiências, nossa história ). Caem para dar lugar a novos sonhos , novos projetos , novos planos, novas metas ...
Não podemos encarar o Outono como uma estação de perdas e sim de transformação , pois assim como na natureza “nossas folhas que caem” logo transformarão em proteção e nutrientes para nossas raízes e tronco fortalecendo os para os novos desafios que vem pela frente e até de rigorosos invernos.
Precisamos compreendermos bem essa “estação de nossa vida” deixando o velho secar e transformar para que o novo nasça em nós.

Juvêncio Veloso

Postagem Coletiva :
 "Um blog paraTodos"

domingo, 18 de abril de 2010

ONDE NÃO CANTAVA O SABIÁ

— Minha terra tem palmeiras .
— Continue!
— Onde canta o sabiá.
— Continue Ha! Ha!
— As aves que aqui gorjeiam.
— Ha! Ha! Pode parar!
  A Inspetora de Ensino enviada pela Secretaria Estadual Educação, para acompanhar a prova de leitura do exame final,recompôs se e dispensou os alunos, dizendo que as provas continuariam após o recreio.
  Fui reprovado. Como?! Acontece que eu era péssimo em leitura, mas era metido a besta e começava a desenvolver uma tese, que não bastava ser inteligente ou estudar era preciso ser esperto. Minha esperteza no caso no caso foi sentar lá no fundo da classe e concentrar na leitura dos outros alunos ( considerava o “decoreba” uma arte e julgava me um perito no assunto ). Quando chegou minha, fui lá na frente,ajeitei a cadeira e com estudada superioridade aguardei a ordem para começar a leitura. O plano era perfeito, só não percebi que trocaram a folha de leitura,exatamente quando fui chamado. Mas isso eu só fiquei sabendo anos depois quando vangloriava ser mestre em colar nas provas e adepto da filosofia de que “ quem não cola não sai da escola ” santa ingnorancia.
Este foi apenas um episódio cômico na minha curta e conturbada vida escolar, sempre fui um aluno problemático , um rebelde sem causa e cheio de tolos conflitos, hoje eu sei a importância do estudo e a falta que ele faz sentindo isso na pele, hoje sei dar valor ao trabalho deste profissionais que lutando contra todas as dificuldade lutam para fazer deste país uma grande nação.
Obrigado a todos os professores do deste país de palmeiras e sabiás. Professora sabiá tem acento? No primeiro ou no ultimo “a”? E acento? E ultimo ?
Qual a moral da história?!

Diz ai Renato Russo!

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Legião Urbana
QUASE SEM QUERER
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha

domingo, 11 de abril de 2010

JESUS JERÔNIMO

Era uma casa humilde, de uma rua sem infra estrutura de um bairro pobre de uma cidade ...
— Que país de merda!
Resmungou Jesus Jerônimo antes de beijar seu filho inesperado, de um casamento errado e sair para a rua lamacenta naquela manhã chuvosa, insistiu em acender um cigarro, a chuva teimou em apagar seguiu para o ponto de ônibus ...
Ônibus atrasado e lotado, motorista cansado, cobrador estressado, chegou no trabalho... Trabalho pesado, chefe estressado Jesus estava cansado...
Trabalhava numa escavação para a construção de um grande prédio desceu para o “buraco” com um mau pressentimento, “as pessoas foram enterradas em valas comuns” ouvira nos noticiários.
Insistiu em acender um cigarro, o barranco desabou soterrando o herói que deixou o sertão em busca de sonhos mas tropeçou na ilusão.
O resgate foi acionado Jesus foi resgatado pelo trabalho eficiente destes anjos e guerreiros. No Pronto Socorro a noite foi liberado.O patrão adiantou o pagamento que já estava atrasado para escapar da fiscalização que a mídia deixou assanhada.
Voltou para sua casa pequena, naquela rua tranqüila, lembrou que era aniversario de seu único filho de um casamento abençoado. Comprou bolo e guaraná e um vestido para a esposa . Sentia leve e tranqüilo até esqueceu de fumar. A noite no noticiário o repórter fez o povo saber que um dos homens do resgate também chamava Jesus.
Jesus sorriu e dormiu.

Juvêncio Veloso

sexta-feira, 26 de março de 2010

GRITOS

 Ilustração de Matheus   Gonçalves  Cardoso

GRITOS

DESESPERANÇA NO FUTURO
ME SUFOCA NO DIA-A-DIA
PROFECIAS DE FALSOS DEUSES
QUE EU AJUDEI A CRIAR
MINHA REVOLTA EU GRITO
 MAS POUCOS QUEREM ESCUTAR

Juvêncio Veloso

terça-feira, 23 de março de 2010

FOME OU VONTADE DE COMER

— E este ônibus que não vem! Estou doida para chegar em casa estou morrendo de fome.
— Sussega, mulé o que você tem não é fome é vontade de comer.
—Vichê homi! E tem diferença?!
—Ôsitem! Fome é o que passei no nordeste, ficar dias sem ter o que comer, caçar calango para sobrevive, aquilo sim era fome. Isso que você tem é frescura é vontade de comer.
Este dialogo eu ouvi em um ponto de ônibus da vida, como é grande a sabedoria popular. Fome ou vontade de comer? Quem na vida nunca se deparou com esta situação.
Quem nunca disse como eu gostaria de aprender tocar violão, conheço amigos que chegaram a comprar o instrumento, que hoje esta jogado em algum canto da casa. Era mais vontade de comer, uma vontade superficial só para impressionar os amigos num barzinho ou roda de amigos.
Tem que ser sincero e desejar profundo você será capaz de transformar o mundo ... diria o velho Seixas.
Um exemplo de fome é Dadá Maravilha que começou a jogar bola mais ou menos aos 19 anos pois viu no futebol uma forma de fugir da marginalidade e sair da miséria.
Hoje agimos mais com a vontade de comer, falta fome de muita coisa,falta até sede de justiça.
Falta fome até para acabar com a fome,nossos governantes investem mais em programas assistencialistas que na minha opinião não passa de compra de votos em suaves prestações. Vou parando por aqui antes que isso vire um debate politico, acabe ferindo algumas ideologias políticas e não é essa a intenção desta crônica. A intenção é mais causar uma reflexão... Vamos terminar com musica...Bebida é água! Comida é pasto Você tem sede de que? Você tem fome de que?...Titãs

Juvêncio Veloso

sábado, 20 de março de 2010

DIA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

Uma carinhosa homenagem  de meu amigo Milton Kennedy
Hoje é dia do contador de história vou tentar buscar no fundo do baú da memória umas das histórias que meu pai contava ,em volta do fogão de lenha nas noites frias dos invernos paranaense. O velho era um grande contador de causos, muito requisitado para contar suas estórias em suas andanças pelo interior de São Paulo e Paraná.
Se não me falha a memória e ela sempre falha a estória era mais ou menos assim;

O SACI PERERÊ
Como vocês sabem eu não tenho medo de assombração, fantasma ou alma penada, já dormi em cemitério e capelas de beira de estrada que tinha fama de morada de corpo seco.
Eu não acredito em coisa de outro mundo mas abusar eu não abuso.
Eu voltava de São Luiz do Paraitinga, já passava da meia noite e faltava mais de uma légua para chegar na minha tapera , começava a descer o grotão dos Três Enforcados,  pareceu me ter visto uma luz se movendo sobre o barranco no meio do capinzal, parecia estar me seguindo.
Capaz mesmo! Pensei. Deve ser resto de alguma queimada! Bem que o Sêo Challita do armazém falou que aquela pinga era da boa. “Derepentemente” meu cachorro saiu correndo desesperado e latindo como quem viu o diabo até sumir na curva do bambuzal. Resolvi acender um cigarro para espantar os maus pensamentos e clarear as idéias, matutava sobre a estranha atitude do cão, quando senti alguma coisa roçando minhas pernas, um calafrio percorreu todo o meu corpo, era um gato preto surgido sabe Deus lá de que onde. De onde teria vindo, pensei minha casa era a mais próxima num raio de quatro léguas . Sempre tive uma cisma com esses bichos por contas de uns acontecimentos estranhos no enterro de Nhá Palmira a benzedeira uma negra sacudida que tinha mais de cem anos de idade e uns trintas gatos. Bom mas essa já é outra história qualquer dia eu conto para vocês. Como eu ia dizendo não havia meio de espantar o "disgramado" do gato. Batia o pé bichano recuava para logo em seguida voltar a cruzar entre as minhas pernas.Naquele tempo eu era moço e impulsivo e fiz uma coisa que não era do meu feitio da qual me arrependo até hoje. Tinha comprado um chicote de couro trançado, trabalho de primeira feito pelas mãos talentosas do "cumpadre" Crispim. Vou ensinar esse bicho a respeitar Juvêncio Velos, pensei enquanto dava uma chicotada no gato. O bicho deu um salto descomunal e jogou tanta formigas sobre minha costa que fiquei mais de um mês com as marcas de suas picadas, sai numa desabalada carreira e só fui parar quando estava dentro do meu rancho a única coisa que me recordo bem é de ter visto foi um negrinho com um gorro vermelho gargalhando e gritando coisa que eu não consegui compreender.
É por isso que eu digo, “eu não acredito não acredito em coisa do outro mundo mas abusar eu não abuso”

Juvêncio Veloso

Parabéns a todos os Contadores de História !
Revirem meu Baú e vocês vão encontrar muitas outras histórias tem a Maldição da Carranca uma adptação livre de um causo contado por um amigo do ônibus da fabrica.

domingo, 14 de março de 2010

VOCÊ



Obrigado pelo carinho uma ótima semana  fui !

DIA NACIONAL DA POESIA


"Os passarinhos cantavam 
Mas só o poeta sabia
Todo o dia quando nasce,
já nasce como poesia"

CONDENADOS

Na solidão de concreto
Um herói imaginário
Caminha a vida incerta
Afoga mágoas nos vícios
As luzes esconde uma cidade
De seres humanos enjaulados
A noite encontra com o dia
Obra de um Deus esquecido

CINZAS

A mulher e os segredos
O menino indefeso
A liberdade algemada
Na cidade desalmada
O poeta e a solidão
O pobre e a desnutrição
Um colorido cinzento
Um poema no cimento
Um grito de esperança
Na boca de uma criança

UM MERO AMOR ETERNO

Uma falsa profecia
Apenas um amor eterno
Uma caricia ensaiada
Um homem preso num terno
Uma emoção disfarçada
Um abraço em silêncio
Uma vontade de amar
O medo de se entregar

Juvêncio Veloso

sábado, 6 de março de 2010

HOMENS, LEÕES E LENDAS


HOMENS, LEÕES E LENDAS

Havia um tempo de homens leões e lendas
Leões rosnavam, homens rugiam, ratos fugiam
Nasciam lendas de homens leões e lendas
Havia um tempo de homens leões e lendas
Leões rosnavam, ratos rugiam, homens tremiam
Cresciam lendas de ratos leões e homens
Havia um tempo de homens leões e lendas
Ratos rosnavam, ratos rugiam, homens sumiam
Morriam lendas de homens leões e lendas

Juvêncio Veloso

sexta-feira, 5 de março de 2010

TRIBUTO AO MEU PAI

Em umas das tantas viagens com meu pai pelo interior do Paraná . Paramos numa sombra a beira do caminho para chupar laranjas. Na inquietude dos meus quinzes anos, questionei o porquê de meu pai ter plantado as sementes de laranjas em um lugar esquecido, numa estrada que talvez nunca mais voltasse a passar.
Meu pai me disse com sua profunda sabedoria e franca simplicidade, que só hoje consigo reconhece; na vida é preciso plantar boas sementes mesmo que não possamos ficar para a colheita. Pouca atenção dei as palavras de meu pai naquela tarde de sol forte e poeira pesada.
Mas hoje procuro passar para os meus filhos a lição que meu velho ensinou:

“ NA VIDA DEVEMOS  SEMEAR BOAS SEMENTES, MESMO QUE NÃO POSSAMOS FICAR PARA A COLHEITA ”

Juvêncio Veloso

terça-feira, 2 de março de 2010

O MUNDO ESTÁ PERDENDO A GRAÇA

"Para com isso menino! Não tem mais graça, graça é até os cinco anos só!"
Essa frase foi dita por uma senhora ao seu filho que fazia um malabarismo ao descer do circular.
Segui o resto da viagem remoendo e tentando digerir aquela informação.
Será mesmo cinco anos a data limite para o fim da infância ?!
Alguns indícios parece confirmar a tese da velha senhora; o fim de certas brincadeiras típicas da infância, bolinha de gude, esconde-esconde, jogar bafo,    cabra cega ou seria cobra cega?! como era mesmo essa brincadeira? Jogar bola na rua, seis vira doze acaba! Acabou... Hoje temos as escolinhas de futebol onde as crianças desaprendi a jogar futebol, amarelinha, chicotinho queimado, brincadeiras de roda, rodar pneu, rodar pneu, qual criança hoje atreve se a pagar esse mico?
Hoje as crianças já não trocam mais gibis,t alvez nem leiam... Até a Monica cresceu por questões mercadológicas. Acho. Será isso que decretou o quase fim da infância.
Será que foi imposição de mercado ( ?! ... )
Nem mesmo sei se alguém vai ler essas mal traçadas ou digitadas linhas, talvez seja mais interessante um vídeo no You Tube ou entrar no MSN,talvez não leiam pelo simples fato que eu já passei 42 anos da idade limite para se ter alguma graça. Será mesmo cinco anos a idade limite para ter alguma graça?!
Não sei! Vou pesquisar no Google...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

APENAS UM COWBOY CALADO

Ele caminhava na avenida quase deserta, era uma daquelas horas incertas em que a noite encontra o dia. Parou para observar as moscas que morriam seduzidas pelo brilho das lâmpadas e os garotos cheirando cola. Caminhava calado na infinita avenida de sua existência, acendeu o último cigarro, tentando apagar solidão sufocou os pensamentos e seguiu em silêncio.
Desviou de um bêbado na sua cama calçada, avistou mais a frente um ser desta  mesma espécie de andar desnorteado, resolveu preventivamente mudar de calçada assustando um menino que regava um poste. Embaixo do viaduto os mendigos aqueciam se com aguardente.
Entrou num daqueles bares que nunca fecha porque nunca deviam terem sido abertos, pediu cigarro e café, contemplando as paredes sujas de anúncios de cervejas, sorriu do amargo do café que lembrava a vida, saiu ... Segui em frente em silêncio e indeciso pois era  apenas um cowboy calado.
Fiquei observando seu vulto sumir no infinito daquela avenida que de tão longa parecia a vida, acendi um cigarro procurando reencontrar o meu caminho.
Segui em frente pois eu era apenas um cowboy cansado.
Juvêncio Veloso 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

QUASE ROCK ROOL

JEZEBEL SÓ VEIO AO MUNDO
POR NÃO TER OUTRA OPÇÃO
JEZEBEL NASCEU NO NORTE
MAS TEVE QUE IMIGRAR
POUCAS COISAS NA BAGAGEM
MUITO MENOS ILUSÃO
TREZE ANOS EM SÃO PAULO
NOVAMENTE ABORTADA
SEU PAI BEBIA MUITO
 PORQUE TINHA MUITO POUCO
SUA MÃE AMAVA A VIDA
APESAR DE NÃO VIVER
SUFOCOU TODOS OS SONHOS
PARA VIVER SUA FAMÍLIA
O SONHO DE SER ATRIZ
A VONTADE DE SER FELIZ
JEZEBEL ERA A ÚNICA FILHA
DUMA PROLE DE DOZE IRMÃOS
JÁ ERA QUASE ANALFABETA
QUANDO FUGIU DA ESCOLA
ESQUECEU DE SER CRIÂNÇA
OU PERDEU A ESPERÂNÇA
NAS RUAS ELA APRENDEU
NÃO SOMOS FILHO DE DEUS
OPÇÃO VIGIAR CARRO
ROUBAR OU PEDIR ESMOLA
TODO DIA  NO FAROL
NEM DAVA PRA VER O SOL
PROSTITUIDA, ABORTADA
 SIMPLESMENTE EXCLUIDA
NESTA VIDA PASSAGEIRA
TAMBÉM FEZ MUITAS BESTEIRAS
NUMA FRIA MADRUGADA
DA VIDA ELA FOI ABORTADA
OVERDOSE APONTOU
MAS ELA SÓ SE CANSOU
Desenho: Matheus Gonçalves Cardoso

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

AINDA NASCEM FLORES NOS ESCOMBROS

Certas imagens ficam gravadas em nossa mente, lembro de uma flor que nasceu nos escombros de um prédio demolido; em outro lugar talvez fosse considerada erva - daninha, mas ali entre entulhos e ferro retorcido eu a considerava a mais bela das flores e um exemplo de resistência.
Outra imagem que colou na minha retina; uma catadora de papelão, puxando um carrinho  cheio de papelão para reciclar, parou em frente a uma loja, causando desconfiança no vigia, mas ela só queria usar a vitrine de uma loja como espelho, para arrumar uma flor no cabelo.
Talvez não esqueça destas imagens, porquê para mim, elas tem uma profunda ligação com essas mulheres que mesmo em condições adversas ou miseráveis  surpreende nos com sua força, determinação e ternura.
Dando a certeza que ainda nascem flores no escombros .

Texto: Juvêncio Hilário  Veloso
Ilutração: Matheus  Gonçalves Cardoso